0 O velho dilema: falta de tempo e maternidade



Impressionante o quão rápida se dá a passagem do tempo. Algum tempo atrás eu estava grávida, e agora meu pimpolho já tem 7 anos.  Fico pensando nas coisas que não tenho aproveitado,  em relação ao crescimento e desenvolvimento dele, todos esses anos. Tragada pela velha correria contra o relógio e consumida pela culpa bem familiar às mães contemporâneas, diariamente lido com minhas incapacidades e limitações. Sei que não vou desacompanhada. Milhares de jovens mães pelo mundo, se unem à mim nessa procura pela harmonia.

O ponto chave da questão é: como encontrar-me enquanto profissional e realizar meus sonhos pessoais, sem sacrificar a faceta mãe? Chega! Alguns anos atrás o sonho das pessoas era encontrar UMA identidade pessoal, UM trabalho, seguir UMA carreia... algo para chamar de seu, um rótulo para assumir, uma camisa para vestir. E como é que fica a necessidade Pluri, Meta? As inquietações da mulher que precisa acompanhar  o mundo à velocidade que ele caminha? 

Vejo pouca paciência e muita pressa. Tudo é para ontem, a demanda pelo máximo de informação e formação engole as pessoas, que sequer esboçam  alguma reação. Estamos vivendo o tempo dos conceitos híbridos, da identidade que não é mais apenas a afirmação de um rótulo e sim a composição feita pela seleção de vivências desta pessoa diante das mais diversas possibilidades de situações. Há quem diga que isso é querer abraçar o mundo com as pernas, ou folgas de quem não quer se prender à nada... Eu digo que é mais... É viver em seu tempo estando à frente dele.

O universo não quer mais pedaços das pessoas, não quer conhecer uma faceta (a que se deseja mostrar), quer que o ser seja inteiro e viva por inteiro todas as possibilidades de sua existência. Aprenda o máximo de tudo que puder, esteja disponível para o novo... é uma maneira de se conhecer fora do seu lugar comum. Parece balela da sociedade alternativa, mas não é. O mundo te requer por inteiro em todos os lugares que você vá, em todas as situações. Então, por que se fragmentar e sufocar parte de quem você é?  A minha resposta é simples, sobrevivência. O problema aqui não é esse... é como deixar de sobreviver e reagir e passar a viver, agir. Chega de ser reacionária. Quem não quiser reagir ao comportamento dos filhos no futuro, precisa se antecipar, rever as prioridades na divisão de tempo.

Esses dias uma amiga no trabalho comentou: quem deseja não ter dores de cabeça com os filhos na adolescência e juventude precisa se fazer presente quando eles são pequenos. Ideia besta, e de tão óbvia chega até a ser patética, mas é a pura verdade. Teoria simples e eficaz, mas o simples tornou-se muito complicado para a realidade contemporânea. Quando me referi às jovens mães no início do meu texto, estava pensando na dura realidade de lutar por uma afirmação financeira e profissional conciliando tudo isso com a maternidade. Desejo de ser uma boa mãe, a maioria de nós temos, mas a responsabilidade de garantir uma melhor qualidade de vida para estes pequenos também é nossa. Daí, vale uma ginástica e contorcionismo de horários, sonhos, egos, culpas e muita determinação para lidar com isso.

Desde pequeno ensino ao meu filho que por priorizá-lo em tudo, as vezes preciso sacrificar meu tempo. O trabalho, o estudo e essas coisas são também uma maneira de colocá-lo em primeiro lugar. Porém, a nossa convivência não é pautada pela permissividade e falta de limites devido à culpa pela minha ausência em alguns momentos. Muito pelo contrário, são nessas poucas horas que se dão as contribuições mais eficazes para a criança se tornar um ser gentil, bondoso, educado, respeitoso e respeitável, confiante amoroso e amável. Não use a culpa pela falta de tempo de estar com seu filho para livrar-se da responsabilidade de educá-lo e verdadeiramente amá-lo.

Aos vinte anos eu já me sentia pronta para ser mãe e quando minha gravidez foi confirmada tive a certeza de que aquele era sim o momento certo. A maioria das pessoas acredita que essa idade é ainda muito precoce para assumir a responsabilidade de uma maternidade e até concordo com isso, mas o fato é que, apenas com a chegada do meu filho fui forçada a me tornar uma pessoa forte, autoconfiante, segura (o que eu parecia ser, mas que no fundo eu não era coisa nenhuma). Foi  por e com ele que aprendi a ter coragem, a ter atitude suficiente para me afirmar como pessoa , e me descobri audaciosa e ousada o suficiente para me lançar naquilo que quero e que acredito (claro que ter meu esposo ao lado, contribuiu muito) .

Ainda que eu não tenha podido acompanhar meu filho as 24 horas do dia desde que ele nasceu, todos os dias dos 7 anos e quase dois meses da vida dele; Ainda que meu tempo para acarinhá-lo seja reduzido, ser mãe tem sido a melhor, mais profunda e completa formação que se possa imaginar. Química, Biologia, Psicologia, Pedagogia, Filosofia, Artes, Letras e Linguagens, Direito, Sociologia, Musica, Nutrição, História, Religião.... tantos conhecimentos necessários para seguir essa carreira vitalícia. Com uma oportunidade de aprender tanta coisa de uma só vez e ainda ganhar e dar carinho de bônus, vale a pena deixar de dormir algumas noites para poder se dar ao luxo de tirar uma tarde para brincar com o filhote.



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